culpa
em teu caminho
medo
limiar
paradigma
calor de rachar
névoa
Destino!
sensatez
não prescinde
sentimento
e raciocínio.
culpa
em teu caminho
medo
limiar
paradigma
calor de rachar
névoa
Destino!
sensatez
não prescinde
sentimento
e raciocínio.
não lhe acolho
enquanto suprimento
não ganho
não perco
não negocio
abdico da vantagem
reconheço
minha dor
desejo inevitável
insatisfeito
com pouco
ou muito medo
imprimo
exprimo
integro esse erro.
O sujeito sujeitado não é mais objeto. Não é mais sujeito. É projeto. Projétil. Voltado contra si mesmo. Percepção sem causa e efeito. Dialética?! Liberdade de mão única. Autorreferente. Enfadado e estafado de tudo poder. Nem sempre precisa pagar pela experiência. Vangloria-se das boas ações. Do mercado. Interioriza a violência. Um bom cashback. Para fazê-lo seguir em frente. Um irrefutável promissor futuro que realmente o convença. Tendência é o que deseja. Atenção e construção do conhecimento dispensáveis. Memória e rituais. Agora tudo deve ser útil. Mas nada se sustenta. Fragmentado. O indivíduo não pertence. Sim. Nós, que não barganhamos nossa consciência, sabemos. A quem essa política interessa.
sintomática
identidade algorítmica
engajando os consumidores
a replicarem suas máximas
alienações agora são
desafios cultuados
tristeza
niilismo
saúde mental
repaginadas pelo mercado
estéticas desesperadas
pelo tal sucesso
desesperança performática.
Por que sonho tanto com você? Por
que sonho hoje o que já sonhei quando o nós começou a se
construir? Será minha memória tentando desobstruir? Ou será que
ela, afeita ao hábito, não quer aceitar a dinâmica da vida,
permitir às escolhas o prosseguir? Como uma dessas canções de Neil
Young ou Bob Dylan que andam circulando dentro de mim, acordei e
senti que, além da trilha sonora, há também você por aqui. Kira.
Se eu fosse você. Não me seguiria para nenhuma parte. Não ouviria meus conselhos. Não faria nada do que digo que faço. Mesmo que me conhecesse. Pessoalmente. Não acessaria meus conteúdos. Não usaria meu cupom de desconto. Ou se comparasse com a minha atual modelagem. Porque, ao contrário do que acham, eu não sou, nem nunca vou estar, capacitado. Para dar a dica, o toque, a letra que possa servir para o colocar em destaque. Mesmo que alguma coerência vaze, desejando tremulamente que viralize, que os algoritmos me embasem. Sei que estou doente. Delirante. Com a multidão que se arrasta. Envazado como líquido ou sólido para negócio, lucratividade, fadado ao descarte. Achando que o ego é a minha melhor parte. Se eu fosse você. Não deixaria like nem dislike. Me ignoraria completamente e assim – você e eu – seríamos nós mesmos naquilo que dentro de nós falta apenas ser reconhecido e posto em prática.